O dinheiro público ganhou novos caminhos. Os responsáveis pelas indicações, porém, continuam difíceis de localizar.
O ministro Flávio Dino, do STF, bloqueou R$ 6,1 milhões de Eduardo Cunha após a PF apontar indícios de que o ex-deputado teria interferido na destinação de 29 emendas, mesmo sem mandato.
A defesa nega irregularidades e afirma que o valor corresponde ao total das verbas, não a dinheiro recebido por Cunha.
Valdemar Costa Neto também teve R$ 119,2 milhões bloqueados. A PF suspeita que o presidente do PL participou da escolha e do remanejamento de emendas por meio de servidores e parlamentares da Câmara.
Valdemar nega ter feito indicações ilegais e diz que líderes partidários auxiliam cidades sem representação em Brasília.
A crise, porém, ultrapassa Cunha e Valdemar. Relatório da Transparência Brasil identificou R$ 1,3 bilhão em “emendas de liderança” registradas sem o nome dos deputados que realmente escolheram os beneficiários.
Sete partidos usaram o mecanismo em 2025, e o PT passou a adotá-lo em 2026.
O problema central está na falta de autoria e rastreamento: sem saber quem pediu, quem recebeu e por qual critério, a fiscalização perde força e dirigentes sem mandato podem ganhar influência sobre o Orçamento.
Dino suspendeu despesas investigadas e deu dez dias para a Câmara entregar documentos sobre as emendas ligadas a Cunha.

