Curitiba se tornou um dos principais destinos de cubanos que deixam a ilha, mas já não veem os Estados Unidos como uma alternativa segura.
A capital paranaense ganhou o apelido informal de “Nova Miami” com o crescimento de comunidades, restaurantes, barbearias, festas e equipes de beisebol formadas por imigrantes.
Em 2025, o Brasil recebeu 44.381 pedidos de refúgio de cubanos, quase o dobro do ano anterior e acima do número registrado por venezuelanos, segundo levantamento citado pelo Wall Street Journal.
Em 2024, dados oficiais já mostravam 22.288 solicitações no país. No Paraná, cubanos responderam por 82,1% dos pedidos de refúgio daquele ano.
O movimento combina a crise econômica de Cuba, marcada por falta de alimentos, apagões e poucas oportunidades, com o endurecimento da política americana.
O governo Trump encerrou programas de entrada humanitária e reunificação familiar e ampliou restrições de vistos para cidadãos cubanos.
Parte dos migrantes viaja primeiro à Guiana e atravessa a fronteira amazônica antes de seguir milhares de quilômetros de ônibus até o Sul.
Em Curitiba, encontram empregos principalmente na construção civil, em cozinhas e no setor de serviços.
Para muitos, o Brasil deixou de ser escala. A prioridade agora é trazer parentes, abrir negócios e construir uma vida permanente longe de Cuba — e também dos Estados Unidos.

