A prisão domiciliar tirou Jair Bolsonaro da cela, mas reduziu sua capacidade de comandar diretamente a própria sucessão.
Na Papudinha, o ex-presidente ainda recebia aliados, ouvia demandas regionais e preservava algum controle sobre acordos nos estados.
Em casa, o acesso ficou concentrado em familiares, advogados e equipe médica, com restrição a celular, redes sociais, gravações e recados por terceiros.
O resultado é político.
Michelle Bolsonaro e Flávio Bolsonaro passaram a carregar a fala pública do ex-presidente, como porta-vozes formais.
Isso dá aos dois mais peso na condução da direita, mas também cria dúvida entre aliados que dependem do aval direto de Jair para fechar chapas, palanques e alianças locais.
A desconfiança nasce justamente no ponto mais delicado da pré-campanha. Flávio tenta se firmar como herdeiro eleitoral do pai enquanto enfrenta pesquisas recentes com Lula à frente e resistência entre setores que ainda preferem uma candidatura fora da família.
Sem Jair falando de forma direta, cada declaração de Michelle ou Flávio vira teste de autenticidade, principalmente após profundas divergências sobre articulações nos estados.
A domiciliar vence em 25 de junho e será reavaliada por Alexandre de Moraes.
Se o regime for prorrogado com as mesmas travas, o bolsonarismo terá de decidir se aceita uma campanha comandada por intérpretes ou se força publicamente a volta de Jair ao centro das negociações.

