El Niño provoca preocupações nas safras brasileiras até 2027

Mais Notícias

A previsão de um pico do fenômeno climático El Niño para novembro de 2023 intensifica as preocupações com os efeitos contrastantes de chuvas e secas em regiões cruciais para a agropecuária brasileira.

Desde maio, especialistas em relatórios de mercado e debates entre associações, produtores e cooperativas têm alertado para dificuldades nas safras, que podem se estender até o primeiro semestre de 2027, dependendo do tipo de cultivo. Os impactos negativos podem perdurar ainda mais em alguns casos.

Os efeitos do El Niño variam conforme a cultura e a localização. No Centro-Sul, o excesso de chuvas compromete a colheita de cana-de-açúcar e grãos de inverno, enquanto a umidade beneficia as lavouras de café. Na Amazônia, a possibilidade de calor intenso e secas recorrentes gera preocupações na cadeia produtiva da castanha, com consequências que podem afetar várias safras.

Impactos nas safras do Centro-Sul

No Paraná, as chuvas intensas têm comprometido tanto a produtividade quanto a qualidade dos grãos de inverno. Um relatório do Departamento de Economia Rural (Deral), divulgado em 29 de outubro, aponta que a produção deve chegar a 2,84 milhões de toneladas, o que representa uma queda de 28% em relação a 2025.

Para a safra de trigo, a previsão é de 1,9 milhão de toneladas, um recuo de 34% devido à diminuição da área plantada e do rendimento. A colheita foi prejudicada pelas chuvas, impactando a qualidade do cereal e restringindo a oferta para a indústria de panificação.

A produção de cevada também foi afetada, mesmo com a ampliação da área cultivada no estado, que é o maior produtor do insumo para cerveja. A projeção caiu para 492 mil toneladas, 2% abaixo do volume de 2025, com perdas de qualidade menos severas que as do trigo. Além disso, aveia, centeio e triticale também enfrentaram redução na área e na produtividade.

Consequências na Amazônia e no Nordeste

Na Amazônia, a produção de castanha-da-Amazônia é particularmente vulnerável, já que o intervalo de 12 a 18 meses entre a floração e a frutificação torna as condições climáticas atuais decisivas para colheitas futuras. Patrícia da Costa, pesquisadora da Embrapa Meio Ambiente, afirma que a safra que começa em novembro e se estende até abril apresenta perspectivas relativamente positivas, mas os ciclos seguintes são preocupantes devido à possibilidade de calor intenso e seca.

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam que, antes dos eventos climáticos extremos da última década, a produção brasileira de castanha variava entre 38 mil e 42 mil toneladas. Após os episódios severos de El Niño em 2015 e 2016, a produção caiu para cerca de 23 mil toneladas em 2017, e apesar de uma recuperação irregular, a produção caiu novamente para 26 mil toneladas após o recente fenômeno.

A seca no Nordeste também preocupa, com uma previsão de produção de 55 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, inferior aos 56,3 milhões da safra anterior.

Chuvas beneficiam as lavouras de café

No Sudeste e Sul, as chuvas têm garantido uma boa umidade nas lavouras de café, de acordo com uma atualização da World Weather. Recentemente, o Sul de Minas e São Paulo registraram volumes de precipitação entre 18 e 70 milímetros. O Espírito Santo e o Paraná também receberam chuvas significativas, enquanto a Bahia permaneceu seca.

A previsão para os dias seguintes indica mais chuvas nas regiões de café, o que deve manter a umidade nas áreas produtoras, embora a atualização não forneça estimativas sobre o impacto na produtividade ou na qualidade do café.

Soja: um cenário misto para 2026/27

O panorama para a soja brasileira em 2026/27 é misto. Um estudo da Serasa Experian indica que, se a produtividade se mantiver conforme o observado durante o El Niño de 2023/24, a produção poderá ser 9,7% inferior ao cenário de clima neutro, resultando em uma diferença de 17,6 milhões de toneladas e um impacto potencial de R$ 33 bilhões no Valor Bruto da Produção.

Por outro lado, a StoneX elevou sua previsão de safra para um recorde de 184,95 milhões de toneladas, um aumento de 0,9% em relação à projeção anterior, devido a uma expectativa de melhores produtividades em Mato Grosso. Os levantamentos refletem enfoques distintos: enquanto a Serasa considera o risco climático, a StoneX se baseia nas condições atuais para estimar a colheita.

Outras Notícias

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here

spot_img

Artigos Relacionados