Extremos do clima obrigam Brasil a repensar casas e cidades

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Chuvas intensas, enchentes e tempestades severas já não podem ser tratadas como ocorrências excepcionais no planejamento urbano.

Estudo com cerca de 60 mil registros oficiais entre 1991 e 2024 mostra que desastres ligados à água atingiram 129,8 milhões de brasileiros, causaram ao menos 4.774 mortes e acumularam prejuízos superiores a R$ 740 bilhões. Mais de 91% dos municípios registraram algum desastre no período.

O aquecimento global aumenta a capacidade da atmosfera de reter umidade e favorece chuvas mais intensas. Isso não significa que choverá mais em todo o Brasil: algumas regiões enfrentarão secas prolongadas, enquanto outras terão precipitações concentradas e inundações mais frequentes.

No Sul, tornados já fazem parte do risco meteorológico conhecido. Um levantamento acadêmico reuniu 310 ocorrências, com maior concentração no norte gaúcho, oeste catarinense e sudoeste paranaense. Ainda não há uma série histórica uniforme que permita afirmar que o número de tornados cresce continuamente, pois a ampliação de radares, celulares e registros também aumentou a detecção.

As adaptações precisam acompanhar o risco de cada município: telhados com fixação reforçada, redes elétricas protegidas, drenagem dimensionada para volumes maiores, áreas permeáveis, contenção de encostas e restrição de construções em zonas inundáveis. Nas áreas mais expostas a tornados, abrigos públicos e cômodos reforçados podem integrar normas locais de construção.

Também não há base para dizer que todo El Niño será mais forte que o anterior. O fenômeno oscila naturalmente, embora seus efeitos ocorram sobre um planeta mais quente.

Siga @dia1brasil para acompanhar os riscos climáticos e as medidas de adaptação no país.

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