Flávio Bolsonaro apoia fim da jornada 6×1, mas aliados buscam mudanças nas regras

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O senador Flávio Bolsonaro (PL) anunciou seu apoio ao fim da jornada de trabalho 6×1, uma decisão que marca uma mudança em sua postura anterior.

Integrantes de sua campanha, no entanto, já admitem que poderão discutir alterações nas regras, caso ele vença a disputa pela presidência, que ocorre em 25 de outubro.

A proposta que visa extinguir a jornada 6×1 deve ser votada pelo Senado em primeiro turno nesta quarta-feira, 14 de outubro, a apenas 11 dias do segundo turno entre Flávio e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Segundo aliados do senador, a ideia é “modular e adequar” a redução da jornada de trabalho às diretrizes econômicas de um possível governo de Flávio, mesmo que a proposta seja aprovada nos moldes atuais.

Flávio, que anteriormente se opôs à mudança, decidiu apoiar a proposta após avaliar que um voto contra poderia prejudicá-lo na reta final da campanha. A reversão da posição foi discutida na semana passada durante reuniões com o senador Rogério Marinho (PL-RN), líder da oposição no Senado e coordenador da campanha do PL. A preocupação gira em torno do fato de que rejeitar uma proposta com amplo apoio popular poderia ser utilizado pelos petistas para apresentar Flávio como contrário aos interesses dos trabalhadores.

O candidato terminou o primeiro turno à frente de Lula e busca manter essa vantagem na votação do próximo mês.

A campanha de Flávio continua a criticar os possíveis impactos econômicos da redução da jornada, especialmente o aumento dos custos para as empresas. Contudo, seus assessores acreditam que o desgaste de votar contra a proposta seria mais prejudicial, mesmo com a intenção de modificar o texto após a eleição.

Votação da PEC no Senado

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), agendou a votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da jornada 6×1. A proposta foi aprovada na Câmara dos Deputados em maio e sugere uma redução gradual da jornada máxima de 44 para 40 horas semanais, garantindo dois dias de descanso por semana e impedindo a diminuição dos salários. Para ser aprovada, a PEC precisa do apoio de pelo menos 49 senadores em dois turnos de votação.

Mesmo apoiando a proposta, Flávio não estará presente na discussão no Senado. O candidato estará em Porto Alegre, onde tem compromissos de campanha, mas poderá registrar seu voto remotamente, já que a sessão é semipresencial.

Mudança de posição e críticas

A decisão de Flávio contrasta com o discurso que ele e seus aliados mantiveram nos últimos meses. Durante o início das discussões sobre a proposta, o candidato do PL criticou Lula, acusando-o de tentar angariar votos com a medida e de apressar sua aprovação antes do segundo turno.

“O Lula, em 4 anos de governo, não faz. Agora, no meio do 2º turno, ele vem de uma forma oportunista querer fazer um movimento achando que isso vai dar voto para ele”, afirmou Flávio na ocasião.

As críticas à proposta começaram meses antes, em maio, quando Flávio a considerou “inoportuna e eleitoreira”, e chegou a afirmar que tinha uma “proposta infinitamente melhor”. Essa alternativa, apresentada por Rogério Marinho e assinada por Flávio, permitiria a contratação por hora trabalhada.

Comparativo entre propostas

  • A PEC em votação reduz a jornada máxima de 44 para 40 horas semanais, sem cortes salariais.
  • A redução será gradual: 42 horas após dois meses da promulgação e 40 horas um ano depois.
  • Garante dois dias de descanso remunerado por semana, sendo um preferencialmente aos domingos.
  • A proposta de Rogério Marinho não altera a jornada máxima de 44 horas nem garante dois dias de folga.
  • Permite que o trabalhador escolha entre as regras tradicionais da CLT e um contrato com pagamento por hora trabalhada.
  • As regras acordadas diretamente com a empresa terão prioridade sobre as negociadas pelos sindicatos.

Flávio anunciou sua mudança de posição na terça-feira, 13 de outubro, após uma visita ao pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), em Brasília, argumentando que a maioria dos trabalhadores deseja o fim da jornada 6×1. Ele também defendeu que o governo compense as empresas pelos custos adicionais decorrentes da redução da jornada.

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