Flávio Bolsonaro não precisava apenas subir nas pesquisas. Precisava provar que consegue comandar a própria casa.
A aproximação com Silas Malafaia, depois de críticas públicas do pastor à sua pré-candidatura, reduz um foco de resistência importante no campo evangélico bolsonarista. A ida de Flávio a culto da Assembleia de Deus Vitória em Cristo foi tratada como gesto de reconciliação, mas o movimento ainda precisa ser medido pelo efeito prático: agenda conjunta, defesa pública continuada e redução dos ruídos internos.
Michelle Bolsonaro continua sendo peça central desse cálculo. Como presidente nacional do PL Mulher, ela tem alcance próprio, fala diretamente com o eleitorado conservador feminino e carrega uma legitimidade afetiva que Flávio não transfere automaticamente por ser filho de Jair Bolsonaro. Sem ela, a pré-candidatura fica formalmente de pé, mas politicamente incompleta.
O dado novo é que Flávio começa a ganhar argumento eleitoral. Pesquisa Real Time Big Data divulgada nesta terça-feira (5) mostra empate técnico com Lula no segundo turno: 44% a 43%, dentro da margem de erro de dois pontos. Isso não resolve sua rejeição nem pacifica a direita, mas muda o peso da conversa: deixa de ser apenas herdeiro indicado pelo pai e passa a aparecer como nome competitivo.
A recomposição com Malafaia pode abrir caminho para Michelle se reaproximar sem parecer recuo. Mas a direita ainda terá de testar se Flávio consegue transformar trégua entre líderes em comando real sobre militância, igrejas, parlamentares e governadores aliados.





