Marconi Perillo venceu Iris Rezende explorando juventude, cansaço de ciclo e desejo de troca. Em 2026, parte desse argumento voltou contra ele.
Em 1998, Marconi era deputado federal, tinha 35 anos e se apresentou como o rosto de uma virada contra Iris, então com 64 anos e longa passagem por cargos como governador, senador, ministro e prefeito.
Naquele ano, Perillo liderou uma vitória histórica contra Iris e manteve uma hegemonia que durou 20 anos, sendo 16 deles como governador.
Hoje, a ironia histórica é direta. Aos 63 anos, Marconi tenta voltar ao Palácio das Esmeraldas contra um ambiente muito diferente daquele que o levou ao poder. Agora, ele é o decano disputando votos contra candidatos mais jovens.
Em 1998, Iris tinha 64, um a mais que Marconi nas eleições deste ano — vale lembrar que um dos motes da campanha que o levou à derrota foi ser atrelado à imagem de “dinossauro da política”.
Mas o problema não está apenas na idade que Perillo tem hoje. Está na mudança de linguagem. O eleitor que comprou o “tempo novo” em 1998 agora vive sob redes sociais, voto mais fragmentado, rejeição medida em tempo real e menor paciência com campanhas baseadas apenas em memória administrativa.
A Quaest divulgada em 30.abr.2026 colocou Marconi com 21% no primeiro turno, mas também com 50% de rejeição, o maior índice entre os nomes testados.
Há outro peso: Marconi está há oito anos fora do governo estadual e já não conta com a mesma retaguarda partidária e municipal que sustentou seus ciclos de poder.
O recall continua a existir, mas não é sinônimo de expansão. Se não diminuir a rejeição, rearticular os aliados e modernizar a comunicação, o tucano pode acabar vivendo o mesmo drama de Iris: ser recordado por muitos, mas aceito por menos pessoas do que o necessário para triunfar.





