Sandro Mabel chegou à Prefeitura de Goiânia vendendo eficiência. O risco, agora, é deixar que a própria imagem pareça mais rápida nas redes do que nas entregas.
A escolha de Mabel pela base governista teve lógica política: empresário conhecido, ex-deputado federal, ex-presidente da Fieg e figura associada à ideia de gestão prática.
Antes da eleição, ao deixar o comando da federação, ele próprio apresentou a experiência empresarial como modelo para administrar Goiânia. Essa promessa ajudou a sustentar a campanha que o elegeu em 2024, com 55,53% dos votos válidos no segundo turno.
O problema é que a imagem pública de “gerentão” exige resposta rápida e visível.
Nos primeiros meses, Mabel apostou em presença de rua, vídeos, cobranças públicas e linguagem digital. Funcionou para marcar ritmo, mas abriu espaço para um desgaste previsível: quando a entrega demora, o excesso de exposição vira munição para adversários.
O apelido “prefeito TikTok”, já explorado em críticas nas redes, resume essa tentativa de reduzir sua gestão à performance.
As pesquisas ajudam a entender a contradição. Levantamentos locais registraram aprovação relevante, como o Instituto Opção, que apontou 56% de avaliação positiva em novembro, e o Diário de Goiás Pesquisas, que indicou 66,89% considerando a gestão melhor que a anterior.
Mas a AtlasIntel mostrou outro lado: Mabel apareceu entre os prefeitos de capital com pior avaliação nacional, com 38% de aprovação e 47% de desaprovação em Goiânia.
Essa diferença entre aprovação administrativa e desgaste pessoal é o ponto sensível.
Uma gestão pode até melhorar serviços, mas, sem confiança na figura do prefeito, perde capacidade de transferir força política, defender medidas impopulares e atravessar crises com menos custo.
A relação com a Câmara, as cobranças por promessas e a pressão para destravar pautas ampliam esse teste.
Ainda há tempo para correção. Mas a virada não virá apenas da comunicação: Mabel precisa ajustar gesto, entrega e tom para que o personagem público volte a combinar com a promessa que o elegeu.
Mudar o tom “pessoal” não é fácil porque demanda autocrítica difícil de administrar, e isso não é exclusividade de políticos e empresários acostumados ao sucesso e à vitória: exemplos não faltam de homens de sucesso que superestimam sua capacidade de autoavaliação e que, após longos períodos de acertos, são vítimas de erros crassos ou ingênuos.
Em política, conviver com o erro é natural, mas errar no período inadequado pode representar pausas desconfortáveis na carreira.





