A queda no consumo de álcool entre jovens criou o rótulo de “geração sóbria”. Relatos recentes no Reino Unido, porém, apontam uma troca perigosa: alguns adultos jovens usam medicamentos controlados para reduzir a ansiedade social, perder a inibição ou buscar sedação em festas.
Entre as substâncias citadas estão benzodiazepínicos, pregabalina e propranolol. Elas têm finalidades médicas diferentes e não produzem os mesmos efeitos, mas passaram a ser apresentadas nas redes sociais como alternativas discretas, baratas e supostamente mais seguras que a bebida.
A comparação engana. Benzodiazepínicos e pregabalina podem causar sonolência, perda de coordenação, falhas de memória, tolerância e dependência.
A interrupção sem acompanhamento também pode provocar sintomas graves.
O propranolol reduz manifestações físicas da ansiedade, como tremores e aceleração dos batimentos, mas pode baixar excessivamente a pressão e a frequência cardíaca.
O risco aumenta quando há mistura com álcool, opioides ou outros sedativos. A combinação pode intensificar a perda de consciência e reduzir a capacidade respiratória.
Como comprimidos não deixam cheiro e são associados a tratamentos legítimos, o uso recreativo costuma passar despercebido por familiares e amigos.
As redes cumprem duas funções: normalizam o consumo sem orientação médica e aproximam interessados de vendedores clandestinos.
Nesse mercado, não há garantia sobre procedência, dose ou composição do produto.
Ainda não existem dados nacionais suficientes para afirmar que jovens brasileiros estejam substituindo o álcool por ansiolíticos em larga escala.
A tendência observada no exterior, contudo, ajuda a identificar uma mudança: beber menos não significa necessariamente abandonar substâncias usadas para enfrentar ansiedade, pressão social e insegurança.
A redução do álcool continua sendo positiva. O problema começa quando a sobriedade visível esconde o uso de medicamentos sem prescrição e acompanhamento profissional.

