O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou, na última quinta-feira (17), um reajuste no Bolsa Família, um dos pilares das políticas sociais de sua gestão, criado em 2003. O novo valor do benefício será de R$ 691 e foi formalizado a apenas 17 dias do 1º turno das eleições, programadas para o dia 4 de outubro.
Este programa, que atende a famílias de baixa renda, é crucial para a base eleitoral de Lula, especialmente entre os beneficiários. Contudo, as últimas pesquisas de intenção de voto indicam um avanço do senador Flávio Bolsonaro (PL) entre esses grupos, o que pode impactar a disputa pela presidência.
A pesquisa Quaest, divulgada em 14 de setembro, revelou que Flávio Bolsonaro aparece numericamente à frente de Lula em uma simulação de segundo turno, com 42% contra 40% do presidente. O cenário está dentro da margem de erro de dois pontos percentuais, o que indica um empate técnico.
Votos e a base eleitoral
Entre os eleitores que recebem até dois salários mínimos, Lula mantém 51% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro aumentou sua participação de 29% para 32%. O número de indecisos nesse grupo caiu de 7% para 5%, enquanto os votos em branco ou nulos recuaram de 13% para 12%.
Outra pesquisa, realizada pela AtlasIntel/Bloomberg, também mostrou Flávio à frente de Lula no segundo turno, com 47,2% contra 46,8%. A insatisfação com o governo é evidente, com 54% dos entrevistados desaprovando a administração de Lula, especialmente entre aqueles com renda familiar de até R$ 2 mil, onde a desaprovação chega a 56,2%.
Além disso, a pesquisa Datafolha revelou que, entre os beneficiários do Bolsa Família, Lula lidera com 53% das intenções de voto no primeiro turno, enquanto Flávio registra 28%. Entre os não beneficiários, a disputa é acirrada, com Flávio com 37% e Lula com 36%.
Justificativas do governo e impacto orçamentário
O governo afirma que o reajuste de 15,04% no Bolsa Família tem como objetivo recompor o poder de compra dos beneficiários, considerando a inflação acumulada entre março de 2023 e agosto de 2026. Com a nova medida, o piso do programa sobe de R$ 600 para R$ 691 e o valor médio dos benefícios passará de R$ 675 para R$ 777, com os novos valores a serem pagos a partir de 19 de outubro.
O impacto orçamentário do reajuste é estimado em R$ 5,8 bilhões para 2026 e cerca de R$ 22 bilhões para o próximo ano. O governo garante que há espaço fiscal para essa ampliação, citando ações contra fraudes e revisão de despesas como parte das estratégias para suportar o aumento sem comprometer as metas fiscais.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, reforçou que a mudança está dentro das regras orçamentárias e negou que o governo esteja utilizando crédito extraordinário, comparando a situação com a “PEC Kamikaze” do governo anterior, que havia elevado o valor do Auxílio Brasil em ano eleitoral.
Críticas da oposição e a resposta do governo
A decisão de reajustar o Bolsa Família gerou críticas imediatas da oposição. Durante um comício na Bahia, Flávio Bolsonaro chamou a medida de ilegal e um ato de desespero eleitoral. No entanto, ele foi orientado a não levar a questão ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para evitar repercussões negativas em sua campanha.
Apesar disso, o deputado Zé Trovão (PL-SC) entrou com uma ação no TSE, pedindo a suspensão do aumento e a cassação do registro de candidatura de Lula, mas o pedido foi rejeitado pelo ministro André Mendonça, do STF, por falta de legitimidade do parlamentar para agir nesse caso.
Desafios entre o eleitorado feminino
As últimas pesquisas também indicam uma queda na intenção de votos de Lula entre mulheres, que passou de 45% para 41% em duas semanas. Flávio Bolsonaro, por sua vez, teve um aumento de 35% para 38% entre esse grupo, resultando em um empate técnico na pesquisa mais recente.
A primeira-dama, Janja, tem se empenhado em mobilizar o voto feminino, enfatizando a importância da participação das mulheres nas eleições e defendendo que a luta contra a violência de gênero deve ser tratada como uma questão moral e não apenas como uma pauta eleitoral.




