A briga entre Major Araújo e Amauri Ribeiro tirou do controle público uma divisão que o PL goiano tentava administrar nos bastidores. A sessão da Alego foi encerrada após a troca de acusações entre os dois deputados, ambos do partido, em meio à disputa sobre a relação da legenda com o governo Daniel Vilela.
O ponto sensível é a pré-candidatura de Wilder Morais ao governo de Goiás. Major Araújo atua como defensor da linha de oposição ao MDB e ao caiadismo. Amauri, recém-chegado ao PL após passagem pelo União Brasil, tenta sustentar presença na direita sem romper completamente pontes políticas construídas com a base governista.
Essa divergência pesa porque o PL ainda carrega marcas da disputa entre Wilder Morais e Gustavo Gayer. Parte da direita goiana queria aproximação com o grupo de Ronaldo Caiado e Daniel Vilela; outra parte aposta em candidatura própria para marcar posição e organizar chapa proporcional. A entrada de Amauri mexeu justamente nessa ferida: ele tem voto, mas também desperta resistência entre aliados que cobram oposição mais nítida.
A consequência prática recai sobre Wilder. Se o partido não controlar a crise, a candidatura ao governo pode começar a campanha explicando briga interna em vez de atacar Daniel. Amauri avalia acionar o Conselho de Ética, e Major Araújo disse que também pode representar contra o colega. A próxima sessão da Alego vai testar se o PL consegue reduzir o dano ou se a disputa por espaço na chapa estadual continuará falando mais alto que o projeto majoritário.

