A presença de Renan Santos na disputa começa a incomodar Flávio Bolsonaro onde o PL esperava ter controle: no eleitor de direita que rejeita Lula, mas já não trata o sobrenome Bolsonaro como voto automático.
O dado ainda pede cautela. A pesquisa AtlasIntel/Bloomberg colocou Renan com 7,8% no primeiro turno, atrás de Lula e Flávio, mas à frente de nomes como Ronaldo Caiado e Romeu Zema.
É pouco para falar em virada. Já é suficiente para obrigar o PL a vigiar uma fuga lateral de votos.
Renan tenta ocupar um espaço específico. Fundador do MBL e presidente do Missão, partido registrado no TSE em novembro de 2025, ele combina discurso liberal, ataque direto ao bolsonarismo e retórica dura em segurança pública.
Esse pacote mira eleitores que se veem à direita, rejeitam o PT e não querem entregar a campanha a Flávio sem questionamento.
O risco para o PL cresce nos debates. Sem grande tempo de TV, Renan depende de exposição ao vivo para transformar provocação em voto. Se conseguir dividir o eleitorado mais ideológico, Flávio pode perder margem justamente no grupo que deveria compensar suas dificuldades entre moderados, mulheres e parte do centro.
Por enquanto, a migração de voto radical ainda é informação em apuração. O que já está medido é outra coisa: Renan deixou de ser apenas ruído digital e virou custo estratégico para Flávio antes do início oficial da campanha.

