Donald Trump abriu uma nova frente contra os grandes frigoríficos dos Estados Unidos. O presidente chamou de “monopólio” a concentração do setor e anunciou que pretende facilitar o processamento e a venda de carne por pequenos produtores, inclusive entre estados.
Quatro empresas — JBS USA, Tyson Foods, Cargill e National Beef — respondem por cerca de 85% do processamento de carne bovina no país. O governo prepara mudanças nas regras federais e já destinou US$ 500 milhões para apoiar frigoríficos independentes e regionais.
O problema é que aumentar a concorrência no abate não cria gado. O rebanho americano caiu para o menor nível em 75 anos, pressionado por anos de seca, incêndios e restrições à entrada de animais do México. O próprio Departamento de Agricultura prevê queda de aproximadamente 4% na produção de carne bovina em 2026.
Os preços refletem essa falta de oferta. Dados citados por economistas mostram que a carne moída ficou cerca de 57% mais cara nos últimos cinco anos, enquanto cortes de bife subiram aproximadamente 35%. Portanto, a alta de quase 80% não aparece como aumento geral da carne bovina nos indicadores disponíveis.
Trump também decidiu liberar temporariamente mais 300 mil toneladas de carne magra importada com tarifa reduzida a partir de setembro. A medida irritou pecuaristas americanos, que temem perder renda justamente quando tentam reconstruir o rebanho.
O governo ainda precisa definir até onde poderá flexibilizar as regras de inspeção sem alterar os padrões federais de segurança alimentar. Mesmo com novas normas, a recomposição do rebanho pode levar anos.
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