O acordo anunciado por Donald Trump com o Irã ainda depende de uma etapa decisiva: impedir que novos ataques no Oriente Médio derrubem o cessar-fogo antes mesmo da assinatura formal.
O entendimento é preliminar e prevê uma trégua de 60 dias, reabertura do Estreito de Hormuz e novas negociações sobre programa nuclear, sanções e liberação de recursos iranianos bloqueados. A assinatura deve ocorrer na Suíça, mas pontos centrais ainda não foram detalhados.
Israel aparece como o principal foco de pressão. O governo de Benjamin Netanyahu resiste a retirar tropas do sul do Líbano e diz que continuará reagindo a ações do Hezbollah, grupo apoiado pelo Irã. Um novo ataque israelense em Beirute já irritou Trump, que cobrou Netanyahu diretamente e defendeu o fim da guerra.
A pressão interna também pesa. Netanyahu deve disputar nova eleição até outubro e enfrenta críticas de adversários que acusam o governo de aceitar um acordo que não garante a destruição completa da estrutura nuclear iraniana nem corta de forma clara o apoio de Teerã a grupos armados.
O acordo pode durar se Washington conseguir segurar Israel, se o Irã evitar retaliações e se a negociação nuclear avançar nos próximos 60 dias. A primeira prova será a assinatura formal e a resposta israelense no Líbano.

