Ronaldo Caiado e Romeu Zema perceberam antes onde a direita ainda pode crescer fora da defesa direta de Jair Bolsonaro.
A pré-campanha de Flávio Bolsonaro ganhou força ao assumir a missão de preservar o capital político do pai, hoje inelegível e condenado.
A estratégia mobilizou a base bolsonarista e o colocou como principal adversário de Lula nas pesquisas, mas começa a mostrar limite: para avançar além do eleitor fiel, Flávio precisa apresentar agenda própria, menos dependente do drama familiar e mais conectada a problemas concretos do país.
Caiado abriu duas frentes de alto impacto: segurança pública e minerais críticos.
A primeira conversa com o medo cotidiano do eleitor; a segunda toca soberania, economia e relação com Estados Unidos e China. Não é pouco. O ex-governador de Goiás tenta transformar sua experiência administrativa em discurso nacional, usando temas que obrigam o Planalto a responder.
Zema escolheu outro flanco: o desgaste de parte da opinião pública com o STF.
O confronto com Gilmar Mendes deu ao ex-governador de Minas uma vitrine que ele ainda não tinha. Nas redes, o tema rende. Ele fala com um eleitor de direita que vê o Supremo como símbolo de excesso institucional, embora essa reação digital ainda precise virar voto medido em pesquisa.
Flávio, por enquanto, administra dois incêndios ao mesmo tempo: a cobrança por fidelidade absoluta ao bolsonarismo e a necessidade de parecer menos conflitivo para a centro-direita.
As tensões envolvendo Eduardo, Nikolas, Michelle e outros aliados aumentam esse custo. Caiado e Zema, sem carregar o sobrenome Bolsonaro, conseguem testar pautas com mais liberdade.
O próximo teste será simples: se segurança, terras raras e STF virarem voto fora das redes, Flávio terá de disputar a direita não apenas pelo nome, mas pelo conteúdo.

