Um exame não invasivo criado por pesquisadores da Universidade de Genebra identificou 90% dos casos de câncer colorretal em análises com amostras de fezes.
O resultado chama atenção porque se aproxima da taxa de detecção citada para a colonoscopia, de 94%, mas o próprio estudo trata a ferramenta como triagem, não como substituta imediata do exame tradicional.
A equipe usou machine learning para mapear o microbioma intestinal em nível de subespécies bacterianas, um recorte mais preciso do que a análise comum por espécie.
Com esse catálogo, os cientistas montaram um modelo capaz de apontar sinais de câncer colorretal a partir de uma coleta simples de fezes. Segundo a universidade, o método superou os testes não invasivos atuais e ainda pode ganhar precisão com mais dados clínicos.
O ponto central é prático: se esse desempenho se confirmar em ensaios clínicos, o teste poderá ampliar o rastreamento e deixar a colonoscopia concentrada na confirmação dos casos suspeitos.
Hoje, o câncer colorretal é o terceiro mais comum do mundo e a segunda principal causa de m0rte por câncer, com 1,9 milhão de novos casos e mais de 900 mil m0rtes estimadas em 2022.
A colonoscopia segue essencial porque, além de detectar, também pode localizar lesões e permitir retirada de pólipos. Autoridades de saúde já usam testes de fezes no rastreamento, mas resultados alterados ainda exigem colonoscopia na sequência.
Em Genebra, um ensaio clínico com os hospitais universitários locais está em preparação para medir com mais precisão em quais estágios e lesões o novo método funciona melhor.

