O recado de Carlos Bolsonaro a Flávio não mira apenas Romeu Zema. Mira o comando da campanha presidencial do PL.
Ao cobrar publicamente que o irmão “escute pelo menos um pouco”, Carlos levou para fora uma tensão que já circula no bolsonarismo: até onde Flávio pode ampliar alianças sem parecer que dilui a identidade política herdada de Jair Bolsonaro.
Zema, ex-governador de Minas e nome bem-visto para compor a chapa, carrega uma vantagem óbvia — gestão, perfil econômico e diálogo com setores liberais —, mas também um problema para a ala mais fiel ao bolsonarismo: em 2023, declarou apoio à reforma tributária defendida pelo governo Lula.
A crítica não vem de um aliado qualquer.
Carlos tenta construir sua própria candidatura ao Senado por Santa Catarina, estado estratégico para a direita, e usa o discurso contra aumento de impostos como senha para falar com empresários, contratados e eleitores conservadores.
Ao atacar a aproximação com Zema, ele também se posiciona como guardião da linha mais dura da família.
Flávio vive o dilema central de sua pré-campanha. Pesquisas recentes mostram uma disputa competitiva contra Lula, mas a viabilidade nacional depende de crescer fora da bolha bolsonarista.
Para isso, precisa de pontes com governadores, partidos de centro e setores econômicos. O risco é pagar esse preço cedo demais e abrir uma crise com quem sustenta sua base mais leal.
A escolha do vice deixou de ser detalhe de bastidor: virou o primeiro teste real de autoridade de Flávio sobre a própria família política.

