Desafios logísticos do agronegócio brasileiro na ferrovia

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VLI enfrenta desafios logísticos no escoamento do agro brasileiro, destacando a importância da segregação de produtos para a eficiência ferroviária.

O agronegócio brasileiro, que se estende da lavoura aos portos, está em busca de novas alternativas logísticas para enfrentar um dos maiores desafios do setor: o escoamento da produção. A VLI, empresa brasileira especializada em transporte multimodal, projeta movimentar mais de 800 mil toneladas de sorgo em 2023, utilizando rotas de exportação que incluem os portos de Santos, Vitória e São Luís, no Maranhão.

Em entrevista ao CNN Agro News, Carolina Hernandez Táscon, diretora executiva comercial da VLI, ressaltou a crescente relevância do agronegócio nas operações da empresa, que opera em diversos setores. “O agro se tornou muito relevante devido ao crescimento desses mercados nos últimos anos”, afirmou. Embora o Brasil tenha avançado em investimentos nas infraestruturas portuárias e ferroviárias, Carolina identificou um obstáculo central: a segregação de produtos.

De acordo com a diretora, a diversificação da matriz de exportações do agronegócio brasileiro está em curso, com a inclusão de novos produtos como DDG, farelo de soja e sorgo, além dos tradicionais soja, milho, açúcar e fertilizantes. Essa diversidade exige que as cargas sejam transportadas sem mistura ao longo da cadeia logística.

O desafio, portanto, reside em preparar os sistemas logísticos para movimentar simultaneamente diferentes produtos, mantendo a eficiência e a produtividade. “Atualmente, estamos estruturados para movimentar um ou dois produtos ao mesmo tempo. Quando tentamos aumentar esse número, os sistemas começam a perder eficiência”, explicou Carolina.

Novo panorama para o sorgo nas exportações brasileiras

O sorgo se destaca como uma das novidades na pauta de exportação brasileira. Carolina mencionou que “o sorgo foi uma grande surpresa. É a primeira vez que o Brasil exporta o produto para mercados como China e Norte da África”. A produção de sorgo no Brasil saltou de 2,5 milhões de toneladas há cinco anos para uma previsão de 9 milhões de toneladas neste ano, com entre 2,5 milhões e 3 milhões destinadas à exportação.

A VLI se tornou a primeira ferrovia a realizar o transporte do sorgo, aproveitando a proximidade das plantações com a malha da Ferrovia Centro-Atlântica (FCA), que abrange 55% da área cultivada, e 20% da Ferrovia Norte-Sul (FNS).

Perspectivas de diversificação e desafios futuros

Além do sorgo, a diretora apontou que os produtos derivados do esmagamento de soja e milho, como farelo de soja e DDG, devem também ganhar relevância nas exportações, impulsionados pela demanda crescente da indústria de biocombustíveis. “Esses produtos estão se tornando cada vez mais importantes no mercado de exportação”, afirmou.

Carolina alertou que a matriz multimodal brasileira ainda apresenta ineficiências, com longas distâncias entre os polos de produção e os portos, indicando que serão necessárias adequações. Entretanto, ela enfatizou que melhorias na produtividade dos ativos existentes podem trazer avanços significativos mesmo antes da conclusão de grandes projetos de infraestrutura. “Às vezes, não se trata de grandes investimentos, mas de adequações que maximizem a eficiência do sistema”, concluiu.

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