O setor de papel e celulose tem se destacado no Brasil ao aumentar sua participação na oferta de energia renovável, beneficiado pelo aproveitamento de subprodutos industriais e pela utilização de biomassa florestal.
Essa tendência é evidenciada pelo estudo “Oferta de Energia Renovável pelo Agronegócio”, desenvolvido pelo Observatório de Conhecimento e Inovação em Bioeconomia da Fundação Getúlio Vargas (FGV).
Crescimento da Oferta de Energia Proveniente do Licor Negro
Um dos principais pontos ressaltados no estudo é o aumento na oferta de energia gerada a partir do licor negro, um coproduto gerado durante a fabricação de celulose. De acordo com os dados, a quantidade de energia proveniente da lixívia deverá crescer de 10,1 milhões de toneladas equivalentes de petróleo (tep) em 2021 para 13,2 milhões de tep em 2025, o que representa uma expansão de cerca de 30%.
No mesmo intervalo de tempo, a participação do licor negro na matriz energética interna do Brasil subiu de 3,3% para 4%. Esse resultado destaca a importância do uso de resíduos e coprodutos industriais para incrementar a proporção de fontes renováveis na matriz energética nacional.
Contribuição Adicional da Lenha e Carvão Vegetal
Além do licor negro, a lenha e o carvão vegetal oriundos da silvicultura energética também são relevantes na oferta de bioenergia vinculada ao agronegócio. Em 2025, essas fontes devem responder por 16,8 milhões de tep, equivalendo a 5,1% da oferta interna de energia do Brasil, conforme o levantamento da FGV.
A combinação de biomassa florestal e coprodutos do processamento industrial coloca o setor de papel e celulose em uma posição estratégica na transição energética, ao conectar a produção de matérias-primas renováveis com a geração e utilização de energia.
A Importância da Bioenergia na Matriz Energética do Setor
A relevância da bioenergia para a indústria de papel e celulose também é evidenciada pela composição de sua matriz energética. Conforme a FGV, as fontes relacionadas ao agronegócio representaram cerca de 74% do consumo total de energia do setor em 2025.
Esse percentual coloca o segmento de papel e celulose entre as indústrias com maior utilização de bioenergia, ao lado do setor de alimentos e bebidas, que superou 80% de participação no mesmo ano. A elevada utilização dessas fontes está diretamente relacionada à integração das atividades industriais com as cadeias produtivas de biomassa e seus coprodutos energéticos.
Crescimento da Bioenergia no Agronegócio Brasileiro
O potencial do setor florestal se insere em um movimento mais amplo de crescimento da bioenergia no Brasil. O estudo da FGV indica que a oferta de energia associada ao agronegócio atingiu 97,8 milhões de tep em 2025, o maior volume registrado desde o início da série histórica em 1970.
Esse resultado representa um aumento de aproximadamente 16% em relação a 2021, quando a oferta era de 84,2 milhões de tep. A participação dessas fontes na oferta interna de energia cresceu de 27,7% para 29,8% nesse período.
Considerando todas as fontes renováveis analisadas, o Brasil disponibilizou 162,3 milhões de tep em 2025, sendo cerca de 60% provenientes de cadeias vinculadas ao agronegócio, incluindo setores agropecuários, agroindustriais e florestais.
Os pesquisadores apontam que a evolução da bioenergia demonstra que a contribuição do agronegócio à matriz energética brasileira ultrapassa os biocombustíveis usados no transporte, abrangendo também o abastecimento de atividades industriais que demandam calor de processo e outras necessidades energéticas.
Nesse contexto, o setor de papel e celulose apresenta características essenciais para a ampliação do aproveitamento energético da biomassa, como a disponibilidade de matérias-primas florestais, a geração de coprodutos industriais e a significativa participação de fontes renováveis no consumo de energia.
Os dados da FGV ressaltam a relevância dessa integração no Brasil e fortalecem a importância da indústria florestal na oferta de energia renovável e na diversificação da matriz energética nacional.


