Horário eleitoral começou em 28 de agosto e ainda não há pesquisa capaz de medir seu impacto; levantamentos anteriores mostram Daniel Vilela na liderança, Marconi Perillo em segundo e Wilder Morais tentando reduzir a distância
Com a chegada da propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão, o cenário político em Goiás ganha novos contornos.
O que se vê agora é a intensificação de um embate que já vinha sendo desenhado nos bastidores: o confronto direto entre o atual governador Daniel Vilela (MDB), que busca a reeleição, e o ex-governador Marconi Perillo (PSDB). Essa dinâmica tem pautado as discussões e colocado os candidatos em evidência logo nos primeiros dias de exibição.
Essa concentração de atenções entre os dois primeiros colocados cria um cenário desafiador para os demais concorrentes. O senador Wilder Morais (PL), que aparece em terceiro lugar nos levantamentos mais recentes, e Luis Cesar Bueno (PT), em quarto, buscam estratégias para romper essa polarização e atrair o olhar do eleitor que ainda está processando as primeiras mensagens da TV.
Embora ainda seja precipitado medir o real impacto da propaganda no humor do eleitorado, a movimentação das campanhas nas próximas semanas deve revelar como cada grupo pretende se posicionar para ganhar terreno. É um jogo de estratégia onde cada segundo no ar conta para consolidar ou mudar o rumo das intenções de voto.
O horário gratuito começou em 28 de agosto. A pesquisa Quaest foi realizada entre 23 e 26 de agosto, enquanto a Real Time Big Data ouviu eleitores entre 24 e 27 de agosto. Os dois levantamentos, portanto, registram o eleitorado antes da entrada da campanha na televisão.
O retrato do momento segundo as pesquisas
Na Quaest, Daniel aparece com 37% das intenções de voto, seguido por Marconi, com 20%, Wilder, com 12%, e Luis Cesar, com 4%. Foram entrevistados presencialmente 804 eleitores entre 23 e 26 de agosto. A margem de erro é de três pontos percentuais, com 95% de confiança. O levantamento foi registrado sob o número GO-06186/2026.
A Real Time Big Data, divulgada no dia seguinte, encontrou Daniel com 45%, Marconi com 22%, Wilder com 17% e Luis Cesar com 6%. O instituto ouviu 1.600 eleitores entre 24 e 27 de agosto, por abordagens telefônicas e digitais. A margem de erro é de dois pontos percentuais e o nível de confiança, de 95%. O registro é GO-00954/2026.
Os percentuais dos dois institutos não devem ser usados para apontar crescimento ou queda entre uma pesquisa e outra, porque os levantamentos utilizam metodologias e amostras diferentes.
O dado comum é a ordem dos candidatos: Daniel lidera de forma isolada, Marconi está em segundo, Wilder ocupa a terceira posição e Luis Cesar aparece em quarto.
O peso dos debates e a busca por espaço
Um termômetro importante dessa fase foi o debate realizado em 30 de agosto pela PUC TV, Rádio Difusora e Diário de Goiás. O encontro serviu de vitrine para o tom que deve imperar na campanha.
No palco, Daniel e Marconi trocaram críticas e defenderam seus legados, focando em temas sensíveis como saúde, segurança pública e as contas do estado. Esse confronto direto acaba ocupando grande parte do espaço político, forçando os outros candidatos a buscarem formas mais criativas de se fazerem ouvir.
Wilder Morais, por exemplo, tem tentado equilibrar propostas com críticas pontuais, mas seu grande desafio é transformar a posição atual em uma ameaça real à vaga hoje disputada por Marconi. Já Luis Cesar Bueno enfrenta a missão de aumentar seu nível de conhecimento perante o público, tentando nacionalizar o debate com o apoio do presidente Lula para ganhar fôlego na corrida estadual.
Luis Cesar tem dificuldade ainda maior. Com 4% na Quaest e 6% na Real Time Big Data, o candidato do PT precisa aumentar conhecimento, estabelecer uma identidade estadual para sua campanha e disputar atenção com três adversários que começam a corrida com percentuais superiores.
No caso do candidato do PT. fortalecer o palanque de Lula em Goiás, é prioridade até que as próximas pesquisas apresente necessidade de mudanças de parâmetros.
Os próximos programas de televisão serão importantes justamente porque permitem aos candidatos tentar alterar essa hierarquia inicial dos levantamentos de intenção de votos.
Saúde: um tema relevante em Goiás
Se existe um assunto capaz de reorganizar as peças desse tabuleiro, esse assunto é a saúde pública.
Na Quaest, 37% dos entrevistados apontaram a saúde como o principal problema de Goiás. Violência aparece depois, com 15%, seguida por economia, com 9%.
Esses números explicam por que o tema virou o campo de batalha preferido dos candidatos. Enquanto a situação defende os avanços da gestão atual na TV, a oposição utiliza o espaço para apontar carências e comparar serviços com períodos anteriores. Para o eleitor, resta avaliar qual narrativa é mais condizente com a sua realidade.
Daniel pode usar a televisão para defender resultados e programas da atual gestão. Marconi, por sua vez, tem espaço para questionar o desempenho dos serviços e confrontar o governo com seu próprio período no Palácio das Esmeraldas.
Para Wilder, entrar nessa discussão exige apresentar uma alternativa que não seja percebida apenas como extensão do confronto entre MDB e PSDB. A força nacional do PL pode ampliar sua exposição, mas a disputa estadual dependerá também da capacidade de construir uma agenda própria para Goiás.
O mesmo problema aparece para Luis Cesar: a presença do PT na eleição presidencial não garante, por si só, crescimento na corrida estadual.
A expectativa para os próximos números
Até agora, o cenário é de estabilidade: Daniel Vilela mantém a dianteira isolada, com Marconi Perillo consolidado na segunda posição. Wilder Morais e Luis Cesar Bueno seguem na tentativa de alterar essa hierarquia.
A grande expectativa agora gira em torno da primeira pesquisa que será realizada com o eleitor já impactado por alguns dias de propaganda na TV. Será o momento de entender se o horário gratuito serviu para manter as posições ou se abriu caminho para uma nova configuração na disputa pelo governo de Goiás.


