Segundo a Polícia Civil, médico preso preventivamente usava a relação de confiança com as pacientes para avançar para perguntas íntimas, toques sem consentimento e procedimentos sem indicação médica.
A investigação contra o ginecologista Marcelo Arantes e Silva, de 50 anos, ganhou novo peso em Goiás após a Polícia Civil confirmar 23 vítimas identificadas em Goiânia e Senador Canedo. O médico foi preso preventivamente na quinta-feira (23), em Goiânia, e está detido no presídio de Senador Canedo. Ele é investigado por estupro de vulnerável praticado durante consultas e exames.
Segundo a apuração da Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher de Senador Canedo, o padrão relatado pelas pacientes começava com a construção de confiança. De acordo com a delegada Amanda Menuci, o médico mantinha uma postura inicial de acolhimento e, depois, passava a fazer perguntas invasivas sobre a vida íntima das mulheres, além de realizar toques sem consentimento e exames sem justificativa médica.
A Polícia Civil informou que 10 vítimas foram identificadas em Goiânia e 13 em Senador Canedo. O primeiro registro conhecido é de 2017, no município da região metropolitana. Em 2020, outra paciente procurou a Delegacia da Mulher em Goiânia. Em um dos casos, o Ministério Público já ofereceu denúncia à Justiça.
A tipificação como estupro de vulnerável, segundo a investigação, considera o ambiente de atendimento médico, a exposição física das pacientes e a relação de autoridade técnica entre profissional e paciente. Para a polícia, esse contexto reduzia a capacidade de reação das mulheres durante os atendimentos.
O Conselho Regional de Medicina do Estado de Goiás informou, segundo veículos que acompanharam o caso, que o registro profissional do médico está suspenso por ordem judicial. O órgão também afirmou que denúncias éticas contra médicos tramitam sob sigilo, conforme as regras do processo ético-profissional.
A defesa de Marcelo Arantes e Silva nega culpa antecipada e sustenta que conclusões só devem ocorrer ao fim da apuração formal, com respeito à presunção de inocência. O caso segue em investigação, e a Polícia Civil orienta que possíveis novas vítimas procurem as Delegacias da Mulher em Goiânia ou Senador Canedo.

