O desgaste do STF deixou de ser ruído de rede e passou a aparecer em números. Esse é o dado político mais sensível para uma Corte que depende menos do voto e mais da confiança pública.
Há um ajuste factual necessário: o orçamento aprovado pelo próprio Supremo para 2026 é de R$ 1,047 bilhão, não R$ 10,4 bilhões.
Ainda assim, o valor é alto o suficiente para ampliar a cobrança sobre transparência, conduta pública e limites entre vida institucional, eventos privados e relações com empresários. Quando uma instituição custa caro e explica pouco, a crítica ganha força.
Pesquisas recentes mostram perda de prestígio.
A Genial/Quaest apontou que 49% dos brasileiros não confiam no STF, contra 43% que confiam.
O Datafolha também registrou que 75% veem “poder demais” nas mãos dos ministros.
Em dezembro, o mesmo instituto já mostrava avaliação negativa do Supremo em 35%, acima dos 31% atribuídos ao Congresso Nacional. A comparação é dura porque o Congresso sempre foi o símbolo clássico do descrédito político.
O problema não está apenas nas decisões judiciais. Reportagens recentes sobre uso de jatinhos ligados ao caso Banco Master, resistência em divulgar valores de palestras e ausência de regras mais claras de conduta pública criaram um ambiente ruim para a Corte.
Não há condenação de ministros nesses episódios, mas há um dano político evidente: a percepção de que o Supremo cobra virtude institucional dos outros enquanto evita explicar seus próprios limites.
O presidente Edson Fachin tenta avançar com um código de ética, mas o estrago já entrou na disputa eleitoral.
Quanto mais o STF demora a responder com transparência, mais entrega munição a candidatos que transformarão o impeachment de ministros e a redução de poderes da Corte em bandeira de campanha.

