quinta-feira, abril 23, 2026

Trump segura a base, mas perde o centro do tabuleiro

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Donald Trump chega ao fim de março com aprovação na faixa de 39% a 42%, dependendo do instituto, e com desaprovação majoritária. No retrato mais recente, o tracker do Economist marca 39% de aprovação e 56% de desaprovação em 24 de março; a média do RealClearPolling aponta 41,6% a 56,0%; e a pesquisa Reuters/Ipsos concluída em 19 de março registra 40% de aprovação. O dado bruto já é ruim, mas o problema político mais sério está em outro lugar: Trump continua competitivo com sua base, porém encontra resistência forte fora dela.

A leitura política é relativamente clara. Neste momento, não há sinal de colapso do trumpismo dentro do eleitorado republicano, mas há desgaste no eleitor mais amplo, sobretudo entre independentes e grupos mais sensíveis ao custo de vida. Em política americana, isso pesa mais do que o barulho ideológico: presidente pode sobreviver a controvérsias, mas raramente passa ileso quando o bolso piora. E é justamente aí que o terreno começa a ceder. A aprovação de Trump na economia aparece em 35%, enquanto sua nota para custo de vida caiu a 29% na Reuters/Ipsos, um patamar politicamente tóxico para quem prometeu restaurar prosperidade e controle inflacionário.

A guerra com o Irã, que poderia produzir um efeito clássico de união nacional em torno do presidente, não entregou esse impulso com força suficiente. A Reuters/Ipsos mostrou que 37% apoiam o conflito, 59% se opõem e 65% acreditam que Trump poderá levar os EUA a uma guerra terrestre de grande escala no Irã, cenário amplamente rejeitado. Em vez de bônus político, o confronto parece ter ampliado a percepção de risco: gasolina mais cara, temor de inflação renovada e receio de escalada militar. Em outras palavras, Trump não está sendo punido só pelo front externo, mas pelos efeitos internos que esse front produz no cotidiano do eleitor.

Para o Partido Republicano, o alerta é objetivo. Trump ainda comanda a energia da direita, mas energia de base não basta quando o centro se distancia. Se a inflação seguir pressionada e o conflito externo continuar contaminando a economia doméstica, o presidente pode chegar às eleições legislativas de novembro como ativo mobilizador para seus fiéis, mas também como peso para candidatos que precisem conquistar moderados, independentes e eleitores menos ideológicos. O trumpismo segue vivo; o problema, hoje, é que seu alcance parece menor do que seu barulho.

Fontes: Reuters/Ipsos, The Economist, RealClearPolling

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