quarta-feira, abril 29, 2026

Bets já pensam no orçamento das famílias e abrem nova disputa sobre dívidas

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Levantamento da CNC estima impacto bilionário das apostas online no varejo, enquanto entidades do setor contestam a metodologia e cobram mais transparência nos dados.

As apostas online deixaram de ser apenas uma discussão sobre entretenimento digital. O avanço das bets passou a aparecer em uma área mais sensível: a renda disponível das famílias brasileiras.

Um estudo da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo estima que o crescimento das plataformas de apostas retirou R$ 143,8 bilhões das vendas do varejo nos últimos dois anos. O valor equivale, segundo a entidade, ao faturamento de dois períodos de Natal, justamente a data mais forte para o comércio.

A CNC afirma que os gastos mensais dos brasileiros com apostas online superaram R$ 30 bilhões e passaram a competir diretamente com despesas básicas, compras de supermercado, roupas, celulares, serviços e pagamento de dívidas. O levantamento usa dados da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor e aponta associação entre o avanço das bets e indicadores mais graves de inadimplência.

O ponto mais delicado está na conta de casa. Segundo a entidade, cerca de 269 mil famílias podem ter chegado à inadimplência severa por causa da incorporação das apostas ao orçamento. Não se trata, pela metodologia da CNC, de dívida feita diretamente com casas de apostas, mas de contas atrasadas porque parte da renda passou a ser desviada para esse tipo de gasto.

O alerta aparece em um momento de endividamento historicamente alto. Em março de 2026, 80,4% das famílias brasileiras tinham algum tipo de dívida, o maior nível da série da Peic. A parcela de famílias com contas em atraso ficou em 29,6%, enquanto 12,3% declararam não ter condições de pagar débitos vencidos.

O impacto, segundo a CNC, não é igual para todos. A pressão seria maior entre homens, famílias com renda mais baixa, pessoas acima de 35 anos e consumidores com ensino médio ou mais. Na prática, o comércio vê uma fatia crescente do orçamento doméstico escapar do consumo tradicional e entrar em um mercado de alta frequência, operado pelo celular e estimulado por publicidade constante.

O setor de apostas contesta o diagnóstico. Entidades como o Instituto Brasileiro de Jogo Responsável e a Associação Nacional de Jogos e Loterias cobram acesso à metodologia, questionam a relação direta entre bets e inadimplência e afirmam que o endividamento dos brasileiros tem múltiplas causas, como juros altos, crédito caro e perda de poder de compra.

A divergência não encerra o problema. Ao contrário, deve ampliar a pressão por regras mais duras sobre publicidade, mecanismos de proteção ao consumidor, controle de acesso e transparência sobre dados do setor. A disputa agora não está apenas nas

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