Pesquisa analisou mais de 410 mil publicações no Reddit e encontrou relatos de fadiga, alterações menstruais e mudanças na sensação de temperatura, mas não prova relação de causa e efeito.
Medicamentos da classe GLP-1, usados no tratamento de diabetes tipo 2 e obesidade, entraram em um novo sinal amarelo após um estudo mapear relatos de efeitos colaterais que ainda não aparecem com a mesma força em bulas e ensaios clínicos.
A pesquisa, conduzida por cientistas da Universidade da Pensilvânia e publicada na Nature Health, analisou mais de 410 mil publicações no Reddit feitas por cerca de 67 mil usuários que mencionaram o uso de semaglutida ou tirzepatida. Essas substâncias estão presentes em medicamentos como Ozempic, Wegovy, Rybelsus, Mounjaro e Zepbound.
Os efeitos gastrointestinais já conhecidos apareceram com destaque: náusea, vômito, constipação, diarreia e dor abdominal. Esses sintomas também constam entre as reações mais comuns descritas em informações oficiais de medicamentos como Ozempic e Mounjaro.
O que chamou atenção foram outros relatos. Fadiga apareceu entre as queixas frequentes. Também surgiram menções a alterações menstruais, como ciclos irregulares, sangramento intenso ou fora do período esperado, além de mudanças na sensação de temperatura corporal, incluindo calafrios, ondas de calor e sensação persistente de frio.
O ponto mais importante, porém, é a cautela. O estudo não prova que os medicamentos causaram esses sintomas. Publicações em redes sociais não trazem informações completas sobre histórico de saúde, peso, dose, tempo de uso, outros remédios ou condições prévias. Os próprios autores tratam os achados como sinais que merecem investigação, não como conclusão médica.
Na prática, o alerta é simples: quem usa GLP-1 e percebe sintomas novos não deve alterar a dose nem interromper o tratamento por conta própria. Mudanças menstruais fora do padrão, fadiga intensa, vômitos persistentes, dor abdominal forte ou sintomas que atrapalhem a rotina devem ser relatados ao médico.
O crescimento rápido do uso desses medicamentos aumenta a importância do acompanhamento profissional. A promessa de perda de peso não elimina riscos, e relatos de pacientes podem ajudar a identificar pontos que ainda precisam ser estudados com mais rigor.

