A alta rejeição de Lula e Flávio Bolsonaro abre uma oportunidade para Ronaldo Caiado: usar os debates para transformar comparação direta em voto.
Ele ainda não chegou aos líderes, mas chega à campanha com menor resistência eleitoral e uma chapa capaz de ampliar sua presença nacional.
A Atlas/Bloomberg de 1º de julho registrou rejeição de 53% a Flávio, 48,6% a Lula e 38,6% a Caiado.
O problema do ex-governador de Goiás está na intenção de voto: 2,9% no primeiro turno. O Datafolha de 20 de junho, porém, mostrou Caiado com 41% contra 47% de Lula num eventual segundo turno. Há espaço potencial, mas ele ainda não conseguiu ocupá-lo.
Os debates podem favorecê-lo porque colocam os candidatos sob comparação direta, sem a proteção das estruturas de governo, da herança bolsonarista ou de campanhas digitais consolidadas.
Sua experiência administrativa, o discurso de segurança pública e a ligação com o agronegócio podem atrair eleitores de centro-direita incomodados com as crises que acompanham Lula e Flávio.
Gilberto Kassab como vice também entrega ao PSD mais presença nos estados.
O risco é confundir menor rejeição com preferência eleitoral. Caiado ainda precisa ser conhecido fora de Goiás e disputar com Renan Santos e Romeu Zema o voto que procura uma alternativa.
Seu primeiro teste será transformar exposição em crescimento consistente nas pesquisas após os debates.
O debate é um ambiente que Caiado trata com desenvoltura, tanto pela experiência no parlamento, como pelo histórico construído ao longo de quase sete anos e meio de gestão em Goiás.
O cenário pode ser favorável ao ex-governador goiano.

