Lula e Flávio Bolsonaro chegam à campanha sustentados por bases resistentes, mas carregam rejeição suficiente para transformar cada debate em risco. A força dos dois depende da dificuldade dos adversários de romper o voto útil.
A pesquisa Meio/Ideia registrou Lula com 40,4% e Flávio com 32% no primeiro turno.
Os demais nomes somados chegaram a 12%.
No mesmo levantamento, 46,4% disseram que não votariam no presidente, enquanto 43,4% rejeitaram o senador. Eles dominam a disputa, mas entram nela com quase metade do país disposta a votar contra cada um.
Lula será cobrado pelo resultado de quatro anos de governo, pela percepção econômica e por casos que atingem aliados.
Flávio terá de responder pelo peso do sobrenome Bolsonaro, pelas divisões no PL, pelo caso Dark Horse e pela atuação em Washington durante a discussão das tarifas dos Estados Unidos.
Os programas eleitorais darão método e repetição aos ataques; os debates retirarão parte do controle das equipes.
A partir de 16 de agosto, erros, falas antigas e contradições ganharão alcance nacional. Lula e Flávio também precisarão atacar sem ampliar a própria rejeição, tarefa difícil quando a estratégia central é apresentar o adversário como risco maior.
A oportunidade dos candidatos alternativos depende de um deles concentrar o voto de quem rejeita os dois e provar que pode chegar ao segundo turno. O primeiro teste será crescer nas pesquisas antes que PT e PL consolidem o voto útil.

