O conflito no Oriente Médio influencia as eleições nos EUA, com eleitores associando guerras ao aumento do custo de vida, segundo analistas.
O atual conflito no Oriente Médio pode ter efeitos diretos nas eleições de meio de mandato nos Estados Unidos. A analista de relações internacionais da CNN, Fernanda Magnotta, aponta que os eleitores americanos fazem uma clara associação entre as guerras externas e o aumento no custo de vida, notadamente nos preços dos combustíveis e alimentos.
A percepção do eleitor americano sobre a política externa
De acordo com Magnotta, tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos, há um debate constante sobre o nível de consciência do eleitor em relação ao mundo globalizado e como isso se reflete nas decisões nas urnas. Ela observa que, em geral, o impacto da política externa nas eleições é considerado limitado, mas ressalta que essa visão pode ser revista em contextos específicos.
Um exemplo citado foi a eleição de 2006, quando as guerras no Oriente Médio, sob a presidência de George W. Bush, influenciaram diretamente as escolhas dos eleitores. “Pesquisas demonstraram que o eleitor percebeu a relação entre os eventos no Oriente Médio e suas consequências em sua vida cotidiana”, enfatiza a analista, destacando que esse impacto se manifestou tanto economicamente quanto em questões de direitos civis, em razão de legislações alteradas durante a guerra ao terror.
Choque externo e reflexos no dia a dia
No contexto atual, Magnotta afirma que há uma associação evidente entre o choque externo, que começou com o conflito na Ucrânia e se agravou com a situação no Irã, e os preços dos combustíveis e alimentos. “Não sou eu quem diz isso; são várias pesquisas que corroboram essa relação”, sublinha.
Uma pesquisa recente realizada em Chicago por um grupo de estudo específico revelou que mais de 80% dos entrevistados relacionavam a guerra no Irã ao aumento do custo de vida. Para a analista, esse dado é de grande relevância: “Isso não é trivial, é importante e demonstra que, nessas eleições, as questões internacionais, de forma direta ou indireta, têm impacto na vida cotidiana dos americanos”.


