O PL de Goiás chega às convenções com a chapa majoritária praticamente definida.
O senador Wilder Morais disputará o governo, tendo a advogada Ana Paula Rezende como vice. Para o Senado, foram anunciados o deputado Gustavo Gayer e o vereador Oséias Varão, embora articulações com o Novo ainda possam provocar ajustes.
A antecedência das escolhas não encerrou os problemas internos. Wilder precisa consolidar o apoio de grupos que, meses atrás, defendiam uma aliança com o governador Daniel Vilela. A relação com Gayer também passou por momentos de tensão, com ausências recíprocas em eventos. O deputado, porém, declarou apoio público a Wilder em junho.
Outro desafio está no perfil da campanha. Wilder integra o campo bolsonarista, recebeu o aval do ex-presidente Jair Bolsonaro e oferece palanque em Goiás ao presidenciável Flávio Bolsonaro. Entretanto, mantém um estilo mais comedido do que aliados como Gayer e Oséias.
Essa postura moderada pode ajudá-lo a buscar eleitores fora do bolsonarismo, mas também gera críticas entre integrantes da ala ideológica do PL, que esperam um discurso mais duro. O candidato terá de conciliar esses grupos sem permitir que declarações radicalizadas de aliados afastem o eleitorado de centro.
A campanha estadual ainda corre o risco de absorver os desgastes nacionais de Flávio Bolsonaro. Entre os episódios recentes estão as repercussões do caso Master, divergências com Michelle Bolsonaro e dificuldades para ampliar alianças. Especialistas ouvidos pelo jornal O Hoje divergem sobre o tamanho desse impacto, mas reconhecem que a associação entre as duas candidaturas é direta.
Nas pesquisas, o segundo lugar permanece aberto. O Real Time Big Data mostrou Marconi Perillo com 24% e Wilder com 16%. Já a DataRD colocou Wilder com 24,6%, à frente de Marconi, que registrou 18,9%.
A chapa está encaminhada. O desafio de Wilder agora é transformar o apoio bolsonarista em unidade partidária e ampliar sua presença além da direita mais fiel.

