A maior rede pública de saúde do país quase não aparece na base usada para medir a espera nacional.
Auditoria do TCU mostra que a Rede Nacional de Dados em Saúde registrou apenas 6,8% das cirurgias eletivas realizadas pelo SUS em 2024. São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Bahia concentram 55% desses procedimentos, mas tiveram cobertura conjunta inferior a 1%. Em São Paulo, somente 11,2% dos municípios usam plataformas federais de regulação.
A responsabilidade, porém, não recai apenas sobre o estado: 51,8% dos municípios brasileiros não adotam sistemas do Ministério da Saúde, e a própria plataforma nacional rejeitou 34,9% dos registros recebidos durante um mês analisado. O governo paulista afirma que utiliza sistemas próprios, aderiu à integração federal em 2025 e reduziu o tempo médio de espera em 57,5%.
O dado ainda não pode ser conferido pela população porque o estado não mantém um painel público com as filas, os procedimentos e os prazos. Sem informações completas, União e estados não conseguem definir prioridades, distribuir recursos nem comprovar se os mutirões realmente reduziram a espera. O TCU deu 90 dias para o Ministério da Saúde apresentar um plano com metas e prazos para integrar as bases.

